Coluna das Mães – Taco não é Soft https://blog2.softball.com.br Este é o blog criado para divulgação do Softbol e do Beisebol do Brasil. Um jogo empolgante e com muita estratégia, velocidade, raciocínio rápido. Nosso intuíto é que este esporte Olimpico seja aprendido pelas nossas crianças e que estas consigam assimilar os valores legados dpela cultura Jaonesa que instaurou e continua se dedicando a manter este esporte vivo no Brasil. Compartilhe com amigos que ainda não conhecem e colaborem com a educação das crianças. Ajude a fazer um Brasil melhor. Tue, 15 Jul 2025 14:40:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 E o fair play revela os gigantes de 10 anos que já entendem o que é ser grande numa “seletiva” https://blog2.softball.com.br/2025/07/15/e-o-fair-play-revela-os-gigantes-de-10-anos-que-ja-entendem-o-que-e-ser-grande-numa-seletiva/ https://blog2.softball.com.br/2025/07/15/e-o-fair-play-revela-os-gigantes-de-10-anos-que-ja-entendem-o-que-e-ser-grande-numa-seletiva/#respond Tue, 15 Jul 2025 14:40:54 +0000 https://blog.softball.com.br/?p=3313 Segunda-feira. O silêncio da manhã parecia mais profundo do que o habitual. Nico e Olivia dormiram até 9:30 — um recorde, revelando o corpo exausto depois de um final de semana exigente. É o primeiro dia das férias — da escola e, agora, também dos treinos de beisebol, que fizeram uma pausa depois de um fim de semana intenso: a seletiva para a seleção brasileira sub-10 pan-americana, que acontecerá na Venezuela.

Cerca de 80 meninos de 9–10 anos disputando 18 vagas. Todos nervosos (meninos e pais), sendo avaliados e querendo ter o orgulho de representar o Brasil. E, mesmo assim, algo raro aconteceu: vimos crianças torcendo umas pelas outras. Havia incentivo. Apoio. Aplauso. Torcida silenciosa. Dicas. Parecia que cada um sabia que, se não fosse ele, tudo bem que fosse o amigo.

Nico Cabral, #49 de Atibaia, e Jeremias Aires, #31 do Gecebs, aquecem durante a seletiva do fim de semana (Foto: Guilherme Gibim)

Foi nesse clima que vimos Jeremias tomando café no sábado de manhã, assim que entramos no refeitório do CT Yakult. Jogador brilhante do Gecebs, time de tradição, já cruzou com o Nico em muitos campeonatos desde que começaram no beisebol (eles são de 2015). Alto, esguio, com uma envergadura que salta aos olhos, tem um braço privilegiado e um domínio impressionante para alguém que ainda vai completar 10 anos. Caminha com leveza, mas impõe presença — mesmo em silêncio. E no montinho… É preciso. Firme. Seguro. Domina os arremessos com naturalidade, como se tivesse nascido dentro de um campo. Um talento silencioso — e inegável. É, sem exagero, um dos melhores pitchers da categoria hoje.

Mas a gente não esperava vê-lo naquela seletiva. O sotaque entrega: Jeremias (ou Jeremiah, como eu o chamo) nasceu na Venezuela e, pelas regras, só brasileiros podem participar de seleções pan-americanas nacionais. Descobrimos que o menino tem dupla cidadania — o avô é brasileiro — e, portanto, estava ali com legitimidade plena e muito merecimento. Quando o vimos ali sentado com os colegas, houve surpresa e sorrisos (e a quase certeza de que agora seriam 17 vagas para cerca de 79 meninos).

Sábado à noite, depois de todos os drills, jogos e avaliações, os meninos tiveram um tempo livre entre o jantar, o banho e o descanso para o próximo dia. Jeremias apareceu no alojamento de Atibaia para brincar. Uns 10 minutos depois, atrás dele, a mãe chegou, rindo e brincando:

— Vocês sequestraram meu filho pra jogar em Atibaia?

E bem que a gente queria — o menino é pura simpatia, humildade, sorrisos e técnica perfeita. Ficamos ali, observando todas as crianças juntas — de times diferentes, sotaques variados — conversando e brincando como se fossem uma só turma.

Foi então que a mãe do Jeremias começou a contar a história deles — uma história riquíssima de emoção, que encheu os olhos de lágrimas.

Quando vieram ao Brasil, Jeremias tinha uns cinco, seis anos. Filho de pai e mãe venezuelanos — a mãe, com o nome mais significativos que já ouvi: Roraima — Jeremias nunca mais voltou. Fez do Brasil a sua casa, do campo de beisebol o seu lugar de pertencimento. E do Gecebs, o time do coração.

Jere na rebatida, durante a seletiva destre fim de semana (Foto: Guilherme Gibim)

Roraima contou que estavam ali, sim, competindo por uma vaga — mas também carregavam um sonho maior: aquela seletiva era a primeira oportunidade de, talvez, Jeremias voltar à Venezuela após 4 anos. E mais: voltar defendendo a camisa do país que os acolheram.

O beisebol no Brasil tem mudado e uma parte significativa dessa transformação veio de fora. Uma das maiores influências nos últimos anos tem sido a dos venezuelanos — famílias que cruzaram fronteiras com filhos pequenos e sonhos grandes. Trazem técnica refinada, paixão, Reggaeton e generosidade. Uma entrega ao jogo que contagia.

Aqui em casa, esse movimento tem nome, rosto e ensinamento: Nico já foi treinado por três senseis venezuelanos (Jhonathan, Thony e Hector). Cada um, à sua maneira, ensinou e ensina bem mais do que técnica. Ensinam intensidade, exigência, amor pelo jogo, coragem — e também respeito. Porque ser grande, eles mostram, não é só saber jogar. É saber crescer junto com força, raça e determinação.

Nico e o sensei de pitcher venezuelano Thony Zorilla

E, claro, não dá pra falar de beisebol no Brasil sem reverenciar a base que nos sustentou por décadas: a comunidade japonesa — que temos no sangue. Foram os nipo-brasileiros que fincaram as estacas, construíram campos em terrenos improváveis, ensinaram as primeiras gerações a respeitar o esporte. Os que jogavam descalços com a mesma seriedade de quem disputa final de campeonato.

Agora, o que vemos é um campo plural. O menino de sobrenome japonês (Kawazoe) dividindo posição com o menino de sotaque espanhol (Aires). O beisebol brasileiro se tornando, cada vez mais, um espelho do país que somos: diverso, miscigenado, resiliente.

Jeremias é um retrato dessa imigração. A mãe disse que além do desejo de entrar para a seleção brasileira, o menino quer muito — muito mesmo — pisar novamente na terra que eles chamam de “país-mãe”. Ela relatou o quanto essa vontade se transformou em esforço e treino, tanto que tinha machucado a canela. Mas, ainda assim, não tinha desistido de seguir.

Chamei o Nico e contei um pouco dessa história, cheia de emoção. Ele imediatamente procurou Jeremias, deu um tapa nas costas e falou, com um sorriso imenso:

— Jeremias, você tem que passar nessa seletiva.
— Você também, amigo — ele respondeu.

E ali, naquela conversa de dois segundos, coube tudo o que acredito que o esporte pode ensinar. Numa seletiva em que a ansiedade poderia virar competição cega, o que se viu foi reconhecimento. Uma criança torcendo sinceramente por outra, mesmo sabendo que poderiam disputar a mesma vaga. Essa é a verdadeira vitória.

Os resultados da seletiva devem sair na próxima semana. A ansiedade é grande. Nico sabe o quanto se dedicou — treinou duro, se entregou, enfrentou o nervosismo e mostrou, mais uma vez, que ama esse jogo com o corpo inteiro. Tenho certeza de que, independente do resultado, ele está orgulhoso de si por ter dado o máximo que podia. Nós também.

Mas o que mais me toca, no fim de tudo, não é a vaga. É essa capacidade que ele — e tantas outras crianças — demonstraram de enxergar o outro, de aplaudir o esforço genuíno, de torcer mesmo quando estão competindo. Porque é isso que fica e o resto, é a história que eles mesmo estão escrevendo.

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O Último Torneio Acrilex: O Fim de um Ciclo e o Início de uma Nova Lição https://blog2.softball.com.br/2025/07/03/o-ultimo-torneio-acrilex-o-fim-de-um-ciclo-e-o-inicio-de-uma-nova-licao/ https://blog2.softball.com.br/2025/07/03/o-ultimo-torneio-acrilex-o-fim-de-um-ciclo-e-o-inicio-de-uma-nova-licao/#respond Thu, 03 Jul 2025 02:19:35 +0000 https://blog.softball.com.br/?p=3211 O Último “Acrilex”:

Acabou. O último Acrilex do Nico terminou neste domingo. E eu saí de lá com o coração meio apertado, meio grato — o tipo de sentimento que nos invade quando um capítulo bonito se encerra.

Não, não é que Nico vá deixar o beisebol. Longe disso. Mas ele está mudando de categoria, e o Acrilex… bem, ele não existe no Infantil. Foi o fim de um ciclo. E ele soube disso. Nós também.

O Acrilex é diferente. Acontece no friozinho de junho, quando as crianças já contam os dias para as férias, mas ainda têm energia de sobra para dar risada, sujar o uniforme e correr atrás da bola como se fosse o último out do mundo. É um campeonato grande — talvez o maior em número de participantes do Brasil —, competitivo, sim, mas com um clima mais leve do que os torneios da CBBS. Uma espécie de recreio de meio de ano.

E talvez por isso ele seja tão querido. Porque ali, entre os jogos e os tropeços, cabe tudo: erro, acerto, treino, brincadeira, amizade, frustração e aquela vontade genuína de jogar. Apenas jogar.

Este ano, Atibaia veio com uma abordagem diferente. O time misto, repleto de meninos do último ano da categoria, mas muitos do primeiro ano, que ainda estão compreendendo o jogo, buscando confiança e aprendendo a atuar com o corpo… e com a cabeça. Sabendo disso, o Sensei foi direto: a prioridade não era vencer o campeonato. Era conseguir jogar todos os jogos para que todos os atletas pudessem entrar (inclusive todos os pitcher em formação que temos, que são os 4 do segundo ano que foram e os 5 do primeiro ano)

No sábado, aconteceram os dois jogos classificatórios. Quem vencesse as duas partidas subiria para a chave diamante — a dos times mais fortes. Mas havia um risco: subir significava jogar no domingo contra as potências da competição. Se perdesse o primeiro jogo do domingo, o time jogaria apenas uma vez e acabou.

O Sensei não queria isso, queria jogar todos os jogos. E pensando assim, realmente fazia mais sentido que o time permanecesse na segunda chave — para que todas crianças tivessem a chance de entrar em campo duas vezes no domingo. Era uma decisão clara: não era pelo troféu. Era pela formação.

No sábado, ele escalou um pitcher por inning. Todos jogaram. Todos, sem exceção – 8 Innings jogados, 6 pitchers (e o terror das anotadoras de ter que trocar o time inteiro várias vezes no jogo). A defesa respondeu e provou que estavam bem treinados. Ganhamos o primeiro, mas perdemos o segundo por pouco e terminamos o dia na segunda chave do campeonato.

E então veio o domingo. Era preciso vencer o primeiro jogo — senão, fim de linha. O Sensei confiou no time titular. Colocou os meninos certos, no lugar certo e entrou com o Vini e o Nico de pitcher. E o time cumpriu seu papel e venceram. Essa vitória abriu a porta para o jogo seguinte. E, com ela, todos os atletas tiveram a chance de experimentar rebater e estar ali no montinho. Todos participaram. Todos viveram a experiência.

E o Nico? O Nico jogou bem, leve e solto. Mas o mais bonito não foi o que ele fez com a bola. Foi o que ele fez pelos outros. Ele ajudou os amigos que tinham menos experiência no montinho. Corrigiu o movimento. A pegada. A passada. O arremesso. Deu instrução no ouvido. Incentivo no olhar. Fez questão de dar espaço e, ao mesmo tempo, dar apoio. Inclusive, voltou para o banco no último jogo e ficou ali, do lado dos senseis ajudando com as instruções.

Ele não estava ali apenas para jogar. Estava ali para garantir que os amigos não passassem sozinhos pelo que ele já havia passado. A ansiedade. O medo. A dúvida. O frio na barriga de quem sobe no montinho e ouve o mundo inteiro em silêncio. De estar sozinho lá errando. Ele queria que os pitchers novos tivessem a confiança de jogar a bolinha, de errar e, até colocar jogadores em base com bola com a garantia que eles, a defesa do segundo ano, estaria lá para pegar aqueles corredores. Porque essa experiência só conhece quem vive o montinho e tem coragem de encará-lo.

Ele fez isso sem ninguém pedir. Fez porque quis. Fez porque entendeu. Fez porque cresceu.

Então sim, o Acrilex acabou. Sem taça no alto. Mas com o time inteiro em pé. Sem destaque individual. Mas com orgulho coletivo. Sem o brilho de uma final, mas com a certeza de que, às vezes, o maior título é o que a gente leva para dentro.

Foi o último Acrilex do Nico como jogador. Mas talvez tenha sido o mais bonito. Porque ele jogou como atleta. E viveu como time. Obrigada, Acrilex. Por ter sido o começo. E, agora, o fim — de um capítulo inteiro. Que venham os próximos. A história continua, ano que vem no Infantil.

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Para as mães do banco, com carinho O que eu aprendi quando eu vi meu filho jogar um ano inteiro https://blog2.softball.com.br/2025/06/24/para-as-maes-do-banco-com-carinho-o-que-eu-aprendi-quando-eu-vi-meu-filho-jogar-um-ano-inteiro/ https://blog2.softball.com.br/2025/06/24/para-as-maes-do-banco-com-carinho-o-que-eu-aprendi-quando-eu-vi-meu-filho-jogar-um-ano-inteiro/#respond Tue, 24 Jun 2025 19:35:32 +0000 https://blog.softball.com.br/?p=3174 Eu lembro direitinho do primeiro campeonato do Nico no beisebol, apenas duas semanas depois que ele entrou no time, em junho de 2022. Ele tinha 7 anos. Era um torneio Acrilex no Clube GECEBS em Arujá — o primeiro dele no T-ball, a categoria mais lúdica do beisebol (aquela em que as crianças aprendem mais a gostar da terra do que do jogo).

Nicola Cabral, na época #6 no T-bol do Sofbol, no seu primeiro jogo no Acrilex (2022) contra Tozan ( Time de Campinas )


Esse é o maior campeonato em número de participantes, com as categorias do T-ball e o Pré-Infantil e o Softbol jogando no mesmo lugar e ao mesmo tempo ( Em muitos campos criados no clube ). Naquela época, eu — totalmente leiga e maravilhada com o esporte — assistia aos meninos de 9 e 10 anos como quem vê um espetáculo do Cirque du Soleil: “Meu Deus, olha como eles jogam com arremessador, com catcher, sem precisar do T… rebatem, correm, matam meninos na base… ágeis como acrobatas…”

Na minha cabeça, aquilo era outro mundo. Um mundo impossível pro meu filho alcançar quando tivesse 9 anos. Eu realmente achava que não daria tempo, que era difícil demais, que aquilo era só pra alguns.

Mas o destino (e a falta de atletas de 2013/2014) tinha outros planos. O time de Atibaia do pré-infantil (9–10 anos) precisava completar o elenco e acabou puxando quatro meninos que completavam 8 anos em 2023: Nico, Yago, Bernardo e Vinícius. Os outros três já tinham mais experiência, já estavam há alguns anos no beisebol.

O Nico… ainda não.

Os técnicos diziam que ele tinha potencial, força e tamanho. Mas eu via que ele ainda não tinha o tempo de beisebol, o conhecimento de jogo, a maturidade necessária e nem o gosto pelo treino. Enquanto os amigos viraram titulares, Nico era banco. Entrava só de vez em quando — primeiro como Defensor Externo Direito e, depois, no segundo semestre, como Primeira Base. Jogava dez minutos aqui, um inning ali, ficava como último ou penúltimo rebatedor do line-up. Chegamos a viajar dez horas de ônibus pra ele jogar o finalzinho de um jogo já perdido

Nico, de Defensor Externo Direito, durante um campeonato em 2023 no Cooper Clube

E mesmo assim, eu o levava. Porque ele queria estar com o time. Queria brincar no alojamento, correr pelos corredores, jogar futebol depois da partida. E eu pensava: “Pelo menos ele não está na tela dos computadores, como a maioria das crianças de hoje. Ele tá vivendo algo do mundo real, pulando, correndo.”

Mas, confesso… doía. Eu reclamava com meu marido: “Não vou mais levá-lo. Ele quase não joga. Por que o técnico não avisa logo quem vai entrar? A gente nem vinha.”

Só que ele queria ir. E voltava quase sempre arrasado. Chorava no carro. Dizia que queria desistir, que era injusto. Que vinha treinando muito, quase nunca faltava e merecia estar no line-up.

E eu… também não entendia o quão difícil é esse jogo e que, mesmo com meses de treino, ele não evoluia a ponto de estar pronto para ser titular. E ele continuava no banco. É duro ver seu filho ali e não querer invadir o campo e pedir: “Dá uma chance, só pra ele mostrar que consegue.” Mas a gente esquece que o mesmo técnico que escala… é o que treina. Ele sabe quem está pronto e quem ainda não chegou lá.

E o banco… fez o trabalho dele. Foi ali que o Nico começou a observar. A escutar (às vezes). A segurar o choro (quase nunca). Mas, principalmente, foi ali que ele começou a entender que ninguém ia dar nada para ele de presente. Que, pra jogar, ele precisava merecer. E que, pra merecer… ele precisava treinar sério. E eu aprendi que ser reserva não é castigo. É processo. É degrau. Na época eu não via isso. Só via meu filho triste e achava que ele era injustiçado. Hoje, entendo que aquele banco ensinou mais do que qualquer prêmio.

Essa era a visão que a gente mais tinha do Nico, durante o primeiro ano do pré-infantil
A virada veio no ano seguinte, em 2024 — o primeiro ano de verdade do Nico na categoria que lhe era de direito. Em um dos campeonatos, Nico achava que tinha arrebentado — e tinha mesmo. Rebateu bem, defendeu bem. Mas o troféu destaque foi pra outros meninos. Ele saiu quieto. Não gritou. Chorou baixinho e sozinho.

O Sensei percebeu e o chamou pra conversar. E eu nunca soube o que foi dito. Mas, desde aquele dia, o Nico virou outro. Passou a chegar no treino focado. Parou de dar desculpas. Ficou mais centrado e sério. Começou a querer aprender. A ver jogos da MLB, observar o posicionamento dos jogadores profissionais. Estudou as posições e jogadas. E eu vi ele se apaixonar de verdade pelo esporte. O bichinho do beisebol realmente mordeu.

E ele foi seguindo assim: treinando muito. Observando muito.

Hoje, aos 10 anos, ele é um dos titulares do time e, quem o vê jogar, acha que ele brilha por um talento nato. Mas foi o banco que construiu isso. Foi o banco que ensinou que quem quer… espera. Treina. Persevera. O banco ensina a ter casca. A segurar o orgulho. A perder… e continuar.

Ainda assim, essa posição não é garantida. Atleta tem fases de ápice e de baixa. O line-up muda conforme a dança. Além disso, no fim deste ano, os nascidos em 2015 mudam de categoria e de treinador (o ciclo vira de dois em dois anos). E quando ele subir de novo… pode voltar pro banco. Vai ter que se provar de novo. Treinar com a bola nova, a arremessar e rebater com efeito, aprender as novas regras que não tem no prézinho e trabalhar mais. Vai ter que conquistar, outra vez, cada espaço e posição. Porque no beisebol — como na vida — ninguém tem lugar cativo.

Por isso, se eu puder falar com alguma mãe de um menino que está no banco: não deixa esse momento decidir se ele vai continuar ou não no esporte.

Pra quem acabou de chegar no esporte competitivo, vindo das bases lúdicas, o banco parece triste. Mas é lugar de formação. Ser titular não significa estar no topo. Significa estar pronto — e isso leva tempo de treino e maturidade de jogo.

Na maioria das vezes, os titulares são os meninos mais velhos da categoria, ou os que jogam há mais tempo e têm mais leitura de jogo. Não é sobre brilho rápido. Nem sobre talento escondido. É sobre trajetória. E o banco faz parte do caminho.

Segura esse tempo. Apoia. Incentiva. A vez do seu filho vai chegar. E quando ela chegar, você vai olhar pra trás e entender: O banco não é o fim. É só o começo.

Neste fim de semana, três anos depois daquele primeiro campeonato, o Nico volta para participar do seu último Torneio Acrilex. Agora como titular de Atibaia e jogando daquele jeito que achei que nunca jogaria. E com a mesma consciência de sempre: Nada é garantido. Tudo é conquistado. Bora lá?

Nico no Acrilex do ano passado, após o encerramento. Empolgados para esse ano?

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